Cheias de Charme vai deixar saudades

1 out

Novela é, sobretudo, texto. Empregadas protagonistas para agradar à classe C ascendente? Balela. “Cheias de Charme” cravou bons índices de audiência por dois motivos. Primeiro por retratar um sonho possível – o de gente comum que dá a volta por cima e conquista espaço e sucesso.

Depois pelo humor leve e despretensioso que cativou o público, sobretudo o infantil. Os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira captaram isso muito bem, criando reviravoltas para acertar o tom de alguns personagens.

Sandro, interpretado por Marcos Palmeira, é um dos exemplos mais claros. O que era pra ser uma versão light do Seu Madruga acabou quase se tornando um vilão detestável. Querendo se dar bem de um jeito fácil, não trabalhava. Se metia em trambiques que beiravam a ilegalidade, não pagava a pensão do filho e chegou a roubar o DVD das Empreguetes. Imperdoável. Até que veio sua recuperação. E volta o cão arrependido que de bandido tornou-se sem querer querendo o herói do fictício bairro do Borralho. O arco da Penha (Taís Araújo) e seu marido traste foi um dos melhores da novela.

Evidente que a interpretação é elementar. E neste caso, “Cheias de Charme” teve muita sorte, pois contou com um ótimo elenco. Marcos Pasquim e Olívia Araújo (no papel da divertida Jurema, empregada da doutora Lygia), por exemplo, que pegaram a trama já quase no fim, conseguiram se destacar. Assim como Titina Medeiros e sua impagável Socorro.

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No núcleo Rosário (Leandra Leal), Ricardo Tozzi conseguiu encontrar bem a diferença entre Inácio e Fabian, tornando críveis as cenas em que os dois personagens interpretados por ele se encontravam.

Mas se teve alguém que chamou atenção foi Cláudia Abreu, irreconhecível sob o figurino espalhafatoso de Chayene.

Até mesmo a falta de talento ajudou em um desenrolar feliz da trama. O Conrado, de Jonatas Faro, não deu muito certo. E olha que o texto tentou ajudar, promovendo uma segunda chance entre ele e Cida (Isabelle Drumnond)

Não teve jeito. Novela é obra aberta e os autores precisam entregar o que o público quer. E não houve quem não torcesse pelo mais bom moço, mais bonito e mais encorpado Elano (Humberto Carrão), revelação da trama.

Novela é texto. Já estava tudo escrito. No  primeiro capítulo  Cida conheceu Conrado, por quem se apaixonou, quando namorava o Rodinei. Flagrou ele a traindo com Brunessa e resolveu beijar o primeiro que aparecesse em sua frente. Justamente o Elano. Quem lembra?

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